Prezado amigo e leitor,
Antes mesmo de publicar meu primeiro livro eu estudei bastante sobre o mercado editorial, e por isso reuni aqui algumas regras básicas do que você pode vir a fazer caso deseje ser um escritor de mercado. Provavelmente estas orientações não servirão para quem já lançou seu livro de estreia, mas devem ajudar os que ainda tem muitas dúvidas sobre como entrar no mercado editorial.
Para ler mais detalhes de cada tópico, clique nas frases em itálico abaixo.
Algumas dicas básicas para ser publicado
1° Ter consciência de que é difícil, mas não é impossível publicar seu primeiro livro
Os dados podem ser desanimadores: no Brasil são escritores demais para leitores e livrarias de menos. Porém, se você for suficientemente criativo e persistente, saiba que pode conseguir seu lugar ao sol. Existe basicamente dois tipos de publicação: a feita pela editora (que banca tudo) e a feita por demanda (o autor arca com os custos). Aqui eu irei citar dicas para ajudá-lo apenas no primeiro caso. Também estarei me referindo apenas a romances. Coletâneas de contos, crônicas, poesias ou teses não se encaixam em todas as dicas abaixo.
2° Escrever com prazer, visando contar a história para o leitor
Muitos originais não são aprovados porque os autores costumam escrever para si, sem serem detalhistas ou suficientemente explicativos. Procure escrever como se estivesse contando uma história, olhando diretamente para o mercado. Evite escrever autobiografias, pois as editoras dificilmente se interessam por este tipo de livro, a não ser que você seja muito famoso ou tenha vivido realmente uma experiência extraordinária. Se quer contar algo de sua vida, crie um personagem interessante e faça-o passar pelas suas experiências. Tente observar as pessoas a sua volta. Cuibe bem das características físicas dos seus personagens, do modo como se expressam. E não se esqueça de criar conflitos nos diálogos, isso é essencial para tornar um livro interessante. Na vida real as pessoas não concordam em tudo, não é mesmo?
3° Ser persistente (ou até mesmo insistente) na escrita. Muitas vezes o escritor "trava", mas isso é normal
Escrever não é nada fácil. Conseguir manter o ritmo requer tempo livre e persistência. Eu costumo escrever pela manhã, pois meu nível de concentração parece melhor. Mas como diz o ditado, cada caso é um caso. Você vai descobrir isso da melhor maneira, ou seja, escrevendo. Se travar, tenha paciência. Outra dica: evite escrever muitas horas seguidas. Sei que às vezes é empolgante, mas você fica mais suscetível a cometer erros.
4° Pesquise: ler é fundamental
De nada adianta querer escrever um livro se você não tem fundamentos para discenir sobre tudo que está nele. Pesquisar em outros livros ou consultar especialistas é essencial. Para escrever sobre lugares que nunca visitou, recorra a guias e mapas (nas livrarias) ou na internet. Mas tome muito cuidado com o que você encontra na web, pois nem sempre as informações são verossímeis.
5° Utilizar as regras padrões no editor de textos
Normalmente desenvolve-se um original com fonte Arial ou Times New Roman, corpo 12 e espaçamento de 1,5 entre linhas. O papel deve ser A4 ou ofício. Aqui vai um tutorial muito interessante para quem utiliza o Word. O autor desenvolveu o mesmo para trabalhos acadêmicos, porém, é facilmente adaptável e serve como fonte de referências para quem deseja escrever e imprimir seus originais através do Word: http://www.scribd.com/doc/1816529/Normas-ABNT-no-Word?page=37
6° Evitar fazer trilogias ou livros demasiadamente longos
Eu diria que um original ideal tem entre 150 e 250 páginas. Embora não seja uma obrigatoriedade, é um limite aceitável para as editoras. Se você está pensando em uma trilogia, tome cuidado. Se coloque no lugar do editor: se o seu primeiro livro fracassar, de que adiantaria lançar as continuações? Normalmente as trilogias vem depois do sucesso do primeiro livro, por isso, experimente debutar no mercado com uma história breve e analise o retorno dos leitores. É óbvio que todo escritor deseja lançar mais de um livro... Mas é importante saber se ele tem dom para isso.
7° Após terminar de escrever, registre seu original
Se você preparou um original, é melhor registrá-lo na Biblioteca Nacional antes de começar a enviá-lo para as editoras ou sair distribuindo por aí. Logo abaixo escrevi um roteiro de como proceder para registrar sua obra, tanto para quem mora no Rio de Janeiro quanto para quem mora em outros estados. Veja:
No Rio de Janeiro
- Imprima uma cópia do seu original (com todas as páginas numeradas) e encaderne-a
- Rubrique TODAS as páginas e ASSINE a última folha
- Clique aqui e imprima uma cópia do FORMULÁRIO DE REQUERIMENTO
- Preencha todos os campos necessários EM LETRA DE FORMA e assine
- Faça um depósito no valor de R$ 20,00 (atenção: verifique!) em uma conta específica no Banco do Brasil. Atenção: a conta que está disponível no site da Biblioteca Nacional não é aceita para depósitos no Rio de Janeiro. Entre em contato com o e-mail eda@bn.br ou telefone para (21) 2220-0039 / 2262-0017 para saber em qual conta que deve ser feito o depósito
- Tire uma xérox de sua identidade e do CPF
- Visite a Biblioteca Nacional levando consigo o original, o formulário preenchido, as guias de depósito e as xérox
Em outros estados
- Repita os procedimentos acima, porém envie todo o material exigido por SEDEX
O prazo para receber a comprovação de registro é de três meses. E lembre-se que seu original não será devolvido, ficará arquivado na Biblioteca Nacional. Mais informações: http://www.bn.br/
8° Contrate um revisor
Não adianta nada mandar um original cheio de erros para as editoras. Embora elas tenham profissionais para revisar o livro antes de ir para a gráfica, contratar um revisor antes de imprimir e encaminhar o original é essencial. Não subestime esta dica... Ser publicado também requer investimento pessoal para uma boa apresentação, como em quase tudo na vida.
9° Contrate um parecerista crítico
Pareceristas críticos são profissionais que avaliam seu original, ou seja, fazem leituras críticas. Técnicas da narrativa, oralidade, adequação ao público-leitor, criatividade... Enfim, avaliam se o seu material é publicável ou não. Eles não modificarão seu texto: apenas emitirão um relatório especificando os prós e contras do seu original. Às vezes podem ser cruéis, mas uma das virtudes de um escritor é saber aceitar críticas (sempre) e tentar aprimorar cada vez mais a escrita. Este tipo de profissional pode ser caro ou barato, depende de quem você vai contratar e o tamanho do seu original. Mas é um passo importante a ser dado antes de encaminhar o mesmo para as editoras.
10° Altere o que for necessário
Com o relatório de leitura crítica nas mãos, localize os erros e conserte-os. Se for necessário não tenha pena de excluir longos trechos do texto. Isso é normal. Depois tente uma segunda avaliação (se possível com outro parecerista). Enfim, tenha consciência que é uma barreira que você tem que transpor. Se a leitura crítica for favorável, imprima várias cópias e coloque-as na frente dos seus originais, ao encaminhá-los para as editoras.
11° Pesquise as editoras que publicam o mesmo gênero de livro que você escreveu
Isso é óbvio, mas nem sempre é seguido. Algumas pessoas sentem-se tão empolgadas que encaminham seus originais para todas as editoras possíveis. Procure visitar os sites, quase todas elas possuem um e são bem explicativos. Localize os endereços para remessa. Nunca encaminhe o original através de meio digital (arquivo), a não ser que o editor solicite. Tenha consciência que seus originais não serão devolvidos. E por último, nunca telefone para a editora a fim de saber se leram ou não seu original. Seja paciente.
12° Deixe a capa, sinopse e diagramação a cargo da editora
Boas editoras sempre deixam o autor acompanhar a construção do livro. Porém, elas possuem diagramadores e artistas gráficos experientes, que sabem a melhor maneira de construir um livro digno de ir para o mercado e que venda bem. Evite mandar seu original com ilustrações próprias, a não ser que seja extremamente necessário.
13° Depois de publicar é que o trabalho começa de verdade...
Muitos escritores acham que basta ter o livro impresso que ele será vendido sem nenhum esforço. Posso lhe dizer que quando você chega a este ponto já deu um grande passo, mas ainda está longe do sucesso. Não se contente com apenas uma tarde de autógrafos; tente descobrir onde seus livros estão à venda, crie um site, entre em comunidades, participe de eventos, enfim, torne-se um pouco mais conhecido. Isso faz uma diferença enorme. E não tente concorrer com autores famosos, tenha ampla consciência que você é um escritor de primeira viagem.
14° Não desista
Enfim, voltando ao início... É muito difícil, mas não é impossível. Alguém certa vez citou que o mercado nem sempre está aberto a bons livros, está aberto a livros interessantes e atraentes. Se eles forem bons, melhor. Preferir publicar por conta própria é um risco. Mas existem casos de autores que fizeram isso e depois conseguiram publicar os mesmos livros em editoras grandes. Saiba que existem novos escritores no mercado e que muitos deles se dispõem a ajudar os iniciantes. É um movimento único visando o benefício de todos, em especial a literatura brasileira.
Mais dúvidas? Clique aqui para falar diretamente com o escritor.